segunda-feira, 19 de março de 2012

Aprenda com pequenos empresários como fazer sucesso nas redes sociais

Não há fórmula mágica para conquistar seguidores ou fãs para a sua empresa nas redes sociais. Cada empreendedor deve buscar o tom mais adequado para se comunicar com seu público pela internet, de acordo com a realidade do seu negócio.

Mas é possível se inspirar em boas ideias. Conheça dez iniciativas criativas de pequenos empreendedores que tiveram sucesso ao divugar suas empresas nas mídias sociais. Eles dão dicas e ensinam como conseguiram, muitas vezes na tentativa e erro, encontrar boas estratégias para marcar presença na internet.

Como marcar presença nas mídias sociais

Produza:

Crie uma bela imagem com conteúdo:
Lydia Himmen, dona da Plus, uma galeria de arte online em Goiânia (GO), percebeu que, para seu negócio, o pulo do gato é a qualidade da imagem associada a um conteúdo bacana.
Por isso, ela prefere participar de redes sociais que oferecem ferramentas próprias para o tratamento e compartilhamento das fotos, como Flickr, Instagram e Tumblr.
O cuidado na produção das fotografias bem como dos comentários é fundamental. “Dá muito certo fazer contato com os artistas e postar o passo a passo da criação de uma obra. Arte envolve encantamento e esse processo de transformar as matérias primas em uma peça é mágico, as pessoas gostam de saber como foi feito, quais foram as etapas percorridas.”
No blog e no site institucional, há os links para outra boa ideia: a página das exposições. O internauta vê todas as obras, lê o texto produzido pelo artista para aquela exposição, escuta a trilha selecionada para fruição das peças, preenche a lista de presença e pode fazer o download do catálogo. No blog, há também o botão para acessar a loja virtual, tudo muito clean e interligado.

Prepare-se:

Entenda os mecanismos antes de usar
A capacitação foi, na opinião de Katia Stocco, dona da revista online feminina Shine Woman, o que fez com que sua empresa entrasse na rede da forma correta. Para ela, os empreendedores devem sempre buscar informações e cursos sobre mídias sociais para qualificarem sua presença nesses espaços.
Antes de lançar a revista eletrônica Shine Woman, ela fez um blog para desenvolver as habilidades que adquiria em um curso sobre redes sociais.
“Transformei o blog na revista.” E as mídias sociais vieram antes mesmo da criação desse portal. Facebook e Twitter serviram para criar o clima do lançamento da publicação eletrônica e trabalhar a marca.
“Causou uma expectativa entre os colaboradores do projeto e serviu para divulgar e observar o que as mulheres postavam, assuntos que se tornaram pautas da publicação.”

Interaja:

Alie interação com promoções
Outra dica importante vem de Uberlândia (MG). Lú Ferreira, dona da Ocasiões Especiais, loja virtual de presentes personalizados criativos e brindes para eventos, investe na interatividade com os clientes, que enviam fotos para serem publicadas nas páginas da empresa no Facebook e Twitter.
“As pessoas gostam de se ver, afinal, a rede é social. Acham legal também ver os produtos customizados para suas ocasiões especiais. Quem manda suas fotos com as peças entra em um cadastro para os sorteios. Todos lançamentos também são divulgados nas redes sociais.”
Lú também procura sempre alinhar o conteúdo de seus posts no Facebook aos produtos que oferece. “Primeiramente, busco as tendências de decoração ou em lembranças de casamento, aniversário e kits. Ligado a essas informações apresento as peças que desenvolvo na mesma linha, ou complementares.” A informação por ela postada agrega valor ao seu portfólio.

Comente:

Rotina da empreendedora é assunto
Lene Pires, dona da Cravo & Canela – loja de joias artesanais feitas em prata e elementos locais como fibras e algodão, sediada em Teresina (PI) –  aposta nos inúmeros afazeres que cumpre ao longo do dia para gerar “buzz” (buchicho) em suas páginas nas redes sociais.
Ela foi a Milão, na Itália, no ano passado, aprender novas técnicas de fabricação das peças e transformou o curso em assunto para vários posts. “No Natal, vendi horrores, porque as pessoas vinham à loja conhecer o que eu havia aprendido.”
A dica é encontrar, nos compromissos marcados na agenda, o gancho com o negócio. “Pode ser até uma viagem a passeio, mas o empreendedor está sempre absorvendo referências e mostrando seus produtos. Tenho sempre uma câmera comigo. As informações que servem para enriquecer minha pesquisa de produtos são fotografadas e postadas, com um comentário, bem como os encontros nos quais mostro meu portfólio.”

Agregue:

Atividades paralelas impulsionam negócio
A artesã Érika Martins descobriu que o conteúdo relevante para as páginas em redes sociais da Arte & Encanto – marca dos produtos que faz usando técnicas como cartonagem e entrelaçamento de pedrarias – não são as informações sobre as peças em si, mas um trabalho paralelo por ela desenvolvido. “Estou sempre dando cursos, oficinas, workshops.”
As redes sociais surgem como ambiente para anunciar esses eventos, comentar sobre o que vai ser ensinado e postar fotos. “Com isso, integro o produto e o serviço. Faço a propaganda do próximo encontro e gero renda duas vezes. Primeiramente, quando consigo a turma paga pela capacitação e, pela segunda vez, ao levar os objetos e montar, no fim das aulas, minibazares. Vendo muito nessas ocasiões”.
Outro ponto destacado pela artesã é a importância de se buscar grupos sobre assuntos específicos dentro das redes sociais, ligados ao seu negócio, e procurar fazer parte deles. “Estou em vários de artesanato. É fundamental para o network.”

Una forças:
Promova produtos em sites parceiros
Uma boa sacada de Alexandre Miranda, dono da Duetto Coleiras, loja especializada no acessório para cães, são as parcerias firmadas com outros vendedores de produtos para cachorros.
Ele e a sócia Natalie Foresta promovem seus produtos em fan pages desses parceiros, recebem e doam brindes para serem distribuídos ou servirem de premiação aos seguidores e fãs que participam de concursos por eles lançados nas mídias sociais.
“Assim, todos saem ganhando, porque consigo atingir o público dos parceiros com meus produtos e vice-versa. Compartilhamos cadastros e sempre linkamos as informações do post no qual anunciamos a promoção ao endereço eletrônico dos parceiros e eles fazem o mesmo.”
A Duetto também se vale das ferramentas que o próprio Facebook disponibiliza, como as enquetes, para conhecer mais sobre público: “as perguntas devem ser curtas, objetivas e, no nosso caso, deu certo dar três opções de resposta.”

Surfe na onda:

Aproveite movimentos espontâneos
O chef e dono do restaurante à la carte Quinta da XV, em Santos (SP), José Manuel de Paiva, percebeu que um hábito comum entre os clientes era fazer fotos dos pratos para compartilhar nas mídias sociais.
Decidiu, então, investir mais ainda na apresentação do que serve. “Incrementei ainda mais o visual.” E seu lema agora é: capriche no off-line para aparecer bem na fita online.
Para completar, Paiva posta, diariamente, o cardápio no Facebook, com uma fotografia bem produzida, a sugestão do dia e informações sobre as receitas. “É preciso redobrar o cuidado com as rotinas off-line quando se está online, porque reclamações na sua página podem se propagar com uma velocidade absurda. Você vai do céu ao inferno em minutos.”

Seja claro:

Crie um espaço virtual focado no seu produto
A lição da Madame Trapo, loja virtual especializada em bonecos de tecido com características lúdicas, vale a pena ser seguida por quem já tem um blog da empresa há mais tempo e começa a enfrentar os mesmo problemas que Eglair Quicollli vêm se deparando.
Como a dona da marca infantil segue à risca o ensinamento de postar conteúdo diversificado e ligado ao segmento no qual atua, e não apenas informações focadas em vendas, seus leitores começaram a confundir qual o seu negócio. “Dava, por exemplo, uma dica de moda infantil e as pessoas me procuravam perguntado onde podiam comprar aquela roupa.”
Por isso, está em curso o desenvolvimento do site institucional, que vai conter o blog. “O chamariz continua sendo o conteúdo do blog. Levo duas horas para fazer um post, porque vou a fundo, busco as fontes, referências interessantes, não me limito a replicar informações. Para estar presente de forma qualificada nas redes sociais, tem que ter gosto pela coisa.”

Forme opinião:

Relacione-se com formadores de opinião
Bia Moraes, dona da loja homônima de acessórios femininos em Ribeirão Preto (SP), obtém ótimos resultados – aumento de visitantes em seu blog e na fan page – por meio dos contatos com responsáveis por blogs de moda, beleza e outros temas ligados ao seu negócio.
Não há fórmula para criar relacionamento com essas blogueiras. “As abordagens são caso a caso. Há casos em que mandamos convites dos lançamentos das coleções. Para outras, começamos a conversa com um e-mail e, se autorizado, enviamos peças para elas vestirem e darem opinião.”
Há também as blogueiras pagas para postar conteúdo sobre a marca em seus perfis. “Antes de oferecer o patrocínio, é preciso identificar se aquela pessoa é, de fato, formadora de opinião na área que o empreendedor atua.”

Invista em quem sabe:
Empresário escolheu franquia antenada nas redes
O franqueado Nilson Brito, o primeiro da MyGloss, escolheu investir na rede pela presença do franqueador nas mídias sociais. “A forma como a marca se comunicava com as clientes, sempre de uma forma descontraída e com dicas interessantes de moda, foi decisiva.”
A dica do empreendedor para quem pretende entrar no franchising é escolher uma rede que já tenha presença qualificada nesses espaços. “A MyGloss tem mais de 400 mil seguidores, está sempre antenada para as redes sociais e o que sai no Facebook, realmente, esgota.”
Recentemente, a empresa lançou o comércio eletrônico dentro dessa plataforma. O franqueador prevê, no modelo de negócio, a instalação de equipamentos nas lojas que permitem às clientes fotografarem as produções e postarem as imagens na fan page da MyGloss ou em seus perfis pessoais.

Por: Izabela Ferreira Alves - UOL, em São Paulo

quinta-feira, 15 de março de 2012

Falta de conhecimento afasta micro e pequenas empresas das redes sociais


As redes sociais são febre no Brasil, mas levantamento inédito feito pela Ecommerce School, centro de cursos de comércio eletrônico e mídias sociais, com 1.080 micro e pequenas empresas brasileiras revela que apenas 20% dessas organizações usam o Facebook ou o Twitter como ferramenta de negócios.
 
Outra pesquisa, feita pela KPMG Internacional, mostra que os brasileiros estão até 30% mais propensos a dizer que suas empresas devem recorrer às mídias sociais como parte dos negócios do que os britânicos, australianos, alemães ou canadenses.

Entre as causas pelas quais empresas de pequeno porte deixam de participar de redes onde há mais de 845 milhões de usuários cadastrados é a falta de conhecimento das ferramentas, aponta Mauricio Salvador, diretor da Ecommerce School. “Além disso, no Brasil, menos da metade da população tem acesso à internet. Muitas vezes, o empreendedor não vê esses espaços como geradores potenciais de oportunidades de negócios.”

Redes Sociais não equivalem a aumento no lucro, mas em relacionamento com os clientes.
Um erro comum percebido por Salvador é esperar retorno em vendas e contratações ligado à presença nas redes sociais e em pouco tempo. A não produção do conteúdo de carga é outro problema. Depois de criados os perfis, o empresário precisa fazer tweets ou posts mesmo sem seguidores ou fans. Essa estratégia é importante para evitar que os visitantes futuros não encontrem as páginas vazias e parem de frequentá-las. Também é necessário atualizar diariamente as páginas nessas plataformas. “A pessoa entra um dia, vê um post. No outro dia, é a mesma coisa, desmotiva-se a entrar novamente e o empreendedor perde a chance de criar um vínculo com esse cliente atual ou potencial.”

Segundo o especialista, outro erro muito prejudicial à imagem da empresa nas redes sociais é confundir páginas institucionais com pessoais. As pessoas não visitam fan pages ou perfis de organizações para saber mais da vida particular de seus donos ou suas opiniões, mas para encontrar conteúdo relevante.

Redes Sociais são feitas de conexões entre pessoas com interesses comuns
E o que vem a ser a tão falada relevância na internet? “É a capacidade que a empresa tem de, por meio de sua presença no ambiente digital e através do conteúdo interessante gerar relacionamento com seus clientes e engajamento desses com sua marca. A consequência natural desse processo são as vendas, mas elas não devem ser buscadas o resultado primordial”, afirma o consultor de planejamento estratégico digital, Felipe Morais.

A comparação feita por Morais, autor do livro Planejamento Estratégico Digital, ajuda a entender qual é o tom das conversas que o empreendedor deve protagonizar nas redes sociais. “No início, é como pisar em ovos. Imagine estar numa balada. Você vê uma moça, gosta dela e vai se aproximar para puxar papo. Não dá para chegar falando ‘me beija’.”

O passo a passo para entrar nesses espaços e conquistar os clientes está ligado ao próprio nome dessas redes. A sociabilidade é o mais importante. Elas não são, prioritariamente, um canal de vendas, apesar de os negócios serem o objetivo final das empresas nesses espaços. “E ser social não é só falar – dos seus produtos, serviços, promoções. É saber ouvir”, diz Morais.

Redes Sociais não são apenas SAC
Ouvir os clientes, para Tim Norris, diretor de Tecnologia e Performance da KPMG Internacional, é muito mais do que responder críticas, sugestões ou interagir com comentários. “O pequeno empreendedor pode postar um vídeo de um produto no You Tube e pedir sugestões para seus conhecidos. Usar esses espaços para fazer pesquisas de mercado é uma grande sacada.”

Sem contar que, depois de criadas as contas, você pode visitar o perfil de todos os seus clientes. Saber quais jornais ele lê, quais restaurantes frequenta, enfim, conhecê-lo muito mais profundamente, sem depender das respostas às tradicionais pesquisas de satisfação ou do preenchimento de cadastros.

Como exemplo inspirador, o consultor do Sebrae São Paulo, Gustavo Carrer, cita a loja Emme. A empresa está na maioria das redes sociais e com uma estratégia bem delineada. O blog da loja alimenta todas as outras mídias. Funciona como uma fonte única, que dispara atualizações para todas as demais.

O mote das conversas na Emme  -- posts no blog, no Facebook, tweets e em outras mídias -- não são os produtos, mas assuntos interessantes para seu público: música, estilo e arte. As fotos são bem produzidas e é promovida a integração da loja com as plataformas digitais. “A cliente pode fotografar uma produção e postá-la nas redes sociais dentro da loja.”

Quem está fora deve começar a planejar a entrada
Para completar, Natan Sztamfater, sócio-fundador da Agência CookieWeb, destaca o princípio que deve nortear todas as ações citadas pelos demais especialistas. “É fundamental ter total transparência, não apagar nenhum post de um cliente, mesmo que for uma reclamação. Isso pode abalar a credibilidade de uma marca para sempre.”
E o presidente do Sebrae dá a dimensão da urgência: "hoje, a internet e as redes sociais são diferenciais importantes e, em um futuro próximo, serão indispensáveis. Então, o quanto antes uma empresa entender, planejar e iniciar sua utilização, mais vantagens competitivas ela terá."

Por: Izabela Ferreiras Alves - UOL, em São Paulo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Jovem empresário compra pizzaria e transforma negócio em rede com faturamento de R$ 3,3 mi

Empreendedores transformaram a rede O Pedaço da Pizza em negócio promissor.

No primeiro mês à frente da rede de pizzarias O Pedaço da Pizza, Pedro Morganti, de 29 anos, comemorou um importante resultado: economizar dez quilos de queijo no preparo das redondas. Essa seria a primeira de uma série de mudanças para transformar uma empresa até então estagnada em rede de franquias lucrativa e com potencial para transformar-se em uma das maiores do ramo no País.

Nos últimos dois anos e meio, ele promoveu cortes de custos e reestruturações para profissionalizar a gestão, criar processos e preparar o terreno para uma expansão acelerada. E os primeiros resultados já aparecem. Lançada em maio de 2011, a franquia O Pedaço da Pizza já tem quatro lojas em São Paulo – outras três são próprias. E a partir de maio, será vendida a outros estados. “Nosso plano é levar o estilo norte-americano de comer pizza para todo o Brasil”, diz Morganti.

É justamente o estilo casual e descolado de vender pizza que tornou-se o diferencial da rede. No mercado desde 1998, a marca foi criada por um empresário que queria solucionar o problema de jovens que, como seus filhos, frequentavam casas noturnas e tinham dificuldade de encontrar um lugar aberto onde comer na madrugada. Por isso, para rivalizar com as redes de fast-food, o local vende pizzas fracionadas e funciona em horário incomum: começa ao meio-dia e vai até o início da manhã.

Frequentador assíduo do estabelecimento, Morganti investiu na rede, com a ajuda do amigo de infância Danilo Iacovone, no momento que ficou sabendo que o local estava à venda. “Percebemos que era um negócio com grande potencial de crescimento, mas que não estava sendo bem gerido”, explica. Sem nenhuma experiência prévia como empreendedores, eles enfrentaram muitos desafios para profissionalizar o negócio.

“Comprar uma empresa não é fácil porque você precisa refazer muito trabalho”, afirma Morganti. Um dos principais impasses enfrentados por ele, por exemplo, foi adaptar os funcionários a nova cultura da empresa. “No começo nós escutávamos muito o que eles tinham a dizer porque eles conheciam a operação melhor do que nós”, relembra. “Mas para conquistá-los, tivemos que mostrar que mudanças podem ser boas”, lembra.

Entre as alterações estava o acréscimo de novos produtos ao cardápio, como calzones, massas e saladas. Um serviço de buffet para festas e eventos também foi incorporado ao portfólio da empresa. O novo cardápio atraiu mais clientes no horário do almoço, período hoje responsável por 40% do faturamento total da rede. Dessa forma, em três anos, o ticket médio da loja subiu de R$13 para R$ 16 e o faturamento cresceu de R$ 2,2 milhões em 2008 para R$ 3,3 milhões em 2011 – alta de 50%.

Com a venda de franquias, o plano é dobrar o número de lojas nos próximos quatro anos e chegar a 50 até 2015. Uma franquia da rede O Pedaço da Pizza custa a partir de R$ 300 mil e tem faturamento estimado em R$ 70 mil.

Cuidado
Apesar da experiência bem-sucedida de Morganti, comprar uma empresa não é tarefa indicada para iniciantes, afirma o consultor do Sebrae- SP Gustavo Carrer. “É um processo que exige experiência para que o empresário não descubra problemas escondidos depois de o negócio estar fechado.”

Além da experiência prévia, o candidato a empreendedor precisa avaliar os benefícios da operação, fazer auditoria para identificar eventuais erros e inconsistências nos indicadores de resultados e avaliar o quanto a empresa e seu ramo de atuação são promissores. “É importante ainda falar com consumidores e fornecedores para detectar qual a imagem da empresa no mercado.”

Já Batista Gigliotti, especialista em compra e venda de empresas, destaca que a aquisição de um negócio traz vantagens, mas é preciso paciência. “O comprador deve entender que existe uma outra cultura no negócio e que é preciso calma e planejamento para fazer a transição.”

Por: Ligia Aguilhar - Estadão PME

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mídias sociais viram oportunidade para pequenas e grandes empresas ganharem dinheiro na web

Redes viram importante canal de vendas e novos negócios surgem para aproveitar esta tendência.

Mister Shadow/AE

Grandes empresas já descobriram que as mídias sociais podem ser um importante canal de vendas para seus produtos – a Magazine Luiza, por exemplo, anunciou nesta quinta-feira, 26, que pretende abrir mais de 10 mil lojas nas redes sociais. De olho nessa tendência, pequenas empresas também começam a apostar no chamado social commerce.

O eiBOW é um dos novos negócios que pretendem surfar nessa onda. Lançada em novembro de 2011, a plataforma pretende ajudar o consumidor a personalizar suas compras e divulgar suas preferências aos amigos, com ajuda das redes sociais.


Funciona assim: o usuário se cadastra no site www.eiBOW.com, descreve sua personalidade e fornece dados que ajudam o site a elaborar uma lista de produtos que combinam com seu perfil. Para criar essa lista, o eiBOW procura os produtos nas lojas virtuais de seus clientes ¬– Casas Bahia, Centauro, Ponto Frio, Extra, Sephora e Peixe Urbano são alguns dos parceiros do novo site, que dialoga com todas as mídias sociais.

“Quando um usuário olha a lista personalizada e se interessa por algum dos produtos indicados, ele pode compartilhar aquele produto com sua rede de amigos do Facebook, por exemplo, ou pode simplesmente clicar em um link e cair diretamente na loja virtual que comercializa aquele item”, explica Andrea Herrmann, uma das sócias do eiBOW.A cada venda realizada, o eiBOW recebe uma comissão (a empresa não ifnorma o valor).

O site permite aos usuários a criação de eventos como, por exemplo, aniversários, chá de fraldas, casamentos e amigo secreto. A lista de produtos favoritos é divulgada pelas redes sociais. “A nossa ideia é facilitar a compra de presentes, porque com a lista fica mais fácil saber o que vai agradar a pessoa presenteada”, argumenta Andrea. “Além disso, as empresas que são nossas clientes conseguem fazer uma venda direcionada, sem invadir a privacidade dos consumidores.”
 
A empresa carioca E-Like, criada também no segundo semestre de 2011, tem estratégia semelhante. Com um aplicativo chamado Meu Shopping, que roda no Facebook, a empresa divulga os produtos de marcas como Enoteca Fasano, Richard’s, Maria Bonita Extra, Salinas, Cantão e Hope Lingerie.

O consumidor só precisa “curtir” a página no Facebook e escolher o produto. Toda venda é feita pela própria rede social e a E-Like, assim como o eiBOW, recebe uma comissão das empresas.

Mas embora o social commerce seja uma tendência irreversível, as empresas que decidirem vender seus produtos nas mídias sociais precisam tomar o cuidado de não importunar os consumidores com suas ofertas, avisam os especialistas. As marcas que, por oferecerem informações relevantes, cultivaram fãs e seguidores nas redes devem ser cautelosas ao usar suas páginas como canal de vendas, sob o risco de perder credibilidade.

Por: Carolina Dall'Olio - Estadão PME

domingo, 20 de novembro de 2011

"Se você está com o cliente, está certo", diz dona da Amor aos Pedaços

Ivani Calarezi, sócia da rede Amor aos Pedaços, garante: é preciso tratar bem o cliente.

Consultar o serviço de atendimento ao consumidor (SAC) como primeira missão do dia. Deslocar imediatamente uma equipe de São Paulo para Resende, cidade localizada no interior do Rio de Janeiro, para constatar in loco os motivos das reclamações de clientes. E ficar sentada no ponto de venda observando como reage um desconhecido no instante em que degusta um dos doces cuidadosamente elaborados pela empresa.

Para Ivani Calarezi, não importa o tamanho da rede Amor aos Pedaços, da qual é sócia. Assim foi, é e sempre será a gestão da empresa. Lá, estatísticas e métricas são aceitas, mas não substituem o bom e velho relacionamento entre empresa e cliente. “Gosto de olhar nos olhos do consumidor para saber o que funciona ou não”, diz a empresária. “O cliente que reclama é o cliente que você não perde. Ele quer te ajudar.”
Ivani é pianista por formação e a cozinha sempre foi um hobby. Por isso, quase três décadas após a inauguração da primeira loja da rede - hoje são cerca de 60 unidades -, ela ainda dá expediente com a mesma empolgação inicial.

“Nunca tive crise porque, na verdade, nem sei o que é crise. O dinheiro é uma consequência quando gostamos do que fazemos. Ainda passo 12 horas dentro da cozinha experimental brincando e bordando com o meu sonho”, afirma.


A empresária e sua sócia, Silvana Marmonti, optaram por crescer pelo sistema de franquias. Mas é Ivani quem dá a palavra final na seleção dos parceiros. E a qualidade é uma preocupação constante. Tanto que funcionários da empresa visitam um a um os fornecedores da rede periodicamente. “Queremos saber, por exemplo, se a plantação de morangos usa a água adequada na irrigação das frutas”, conta a empreendedora.

:: Os detalhes que fizeram a estratégia de Ivani funcionar ::

Inovação
Para Ivani, nem sempre o cliente sabe o que quer. Às vezes, é muito importante deixar as pesquisas de lado para seguir os instintos.

SAC
São três letras fáceis de falar, mas complicadas de gerenciar. O serviço, porém, é levado a sério na rede Amor aos Pedaços.

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O pulo do gato de Ivani foi escolher uma sócia que a liberou para se dedicar ao que ela realmente domina: a criação de doces e bolos.

Portfólio
O setor de alimentação fora do lar exige um ritmo forte de lançamentos. Por isso, a rede se esforça nesse quesito.

Olhar firme
Outro diferencial na gestão da empresa é não delegar tarefas estratégicas, como a escolha final dos franqueados.

Por: Renato Jakitas - Estadão PME

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

2º Café Empreendedor - Encontro de Empreendedores

O SEBRAE/RN, através do Escritório Regional do Trairi - Santa Cruz/RN, realiza neste dia 09 de novembro, às 09h, o segundo Café Empreendedor - Encontro de Empreendedores.

Com o tema "Oportunidades de Negócios para a Copa do Mundo de 2014", ministrada pelo analista do SEBRAE/RN e gestor do Projeto SEBRAE/RN e a Copa de 2014, Célio José Vieira de Moura, os empresários da Região do Trairi terão a oportunidade de refletir e despertar para o universo de oportunidades que a Copa do Mundo 2014 já está proporcionando para Micro e Pequenas Empresas.

O evento conta com a parceria da Câmara de Dirigentes Lojistas - CDL de Santa Cruz e da Rádio Santa Cruz AM 1410.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mercado de festas infantis agora diversifica serviços para ganhar espaço

Setor oferece eventos que podem reunir tantos convidados quanto um casamento.

Ao dar uma olhada no número de comemorações que alguns pais preparam hoje para seus filhos, fica fácil entender porque o mercado de festas infantis ainda apresenta boas oportunidades de negócio. E como as mães hoje trabalham, muitas não conseguem arrumar tempo para organizar uma festa – mas têm dinheiro para contratar quem faça isso por elas.

A longa lista de festas infantis começa antes mesmo de a criança nascer, com o chá de bebê. O que antes se resumia a uma reunião informal entre amigas, ganhou status de evento e pode reunir tantos convidados quanto um casamento. A depender do tamanho do bolso do casal.

Logo depois do nascimento do nenê, lá vem outra novidade. Um número crescente de pais tem aderido a uma comemoração pouco usual, criada para evitar que o bebê receba muitas visitas em casa. Chama-se “chá de apresentação”, uma festa em que a criança é apresentada para a família e para o círculo de amigos do casal de uma só vez.

Ainda não acabou. Nas famílias católicas, é possível que os pais organizem outra festa muito em breve: a comemoração do batizado. Até que, enfim, a criança complete um ano e inaugure a era dos aniversários infantis.

“As principais oportunidades para quem pretende abrir um buffet ou quer montar uma empresa que forneça produtos e serviços para festas infantis é se especializar em comemorações voltadas para crianças de até 3 anos de idade”, indica Zuleica Russi, organizadora do Mega Festas Kids & Teen, exposição que reúne fornecedores do setor.

Para Zuleica, as empresas com foco neste público vendem mais, conseguem fidelizar o cliente desde o berço e ainda sofrem menos com as oscilações do cenário econômico. “Pai e mãe sempre dão prioridade para a festa do filho, principalmente nesta idade”, afirma a organizadora do Mega Festas.

As festas mais simples, para 50 pessoas, não costumam sair por menos de R$ 3 mil, estima Zuleica. A partir daí, a imaginação e a disposição a gastar é que ditam o limite das despesas. Não é difícil encontrar organizadores que já tenham feito festas de R$ 50 mil para crianças.

O ramo oferece muitas oportunidades, sem dúvida. Mas também apresenta concorrência acirrada. “É preciso construir uma reputação no setor para conseguir indicações”, reforça Zuleica. “ E ter um diferencial também é importante, porque há muitas empresas já estabelecidas no mercado.”

A demora para que a empresa ficasse conhecida foi a principal dificuldade enfrentada por Kika Duarte, dona da Auguri Festas. “Nesse setor, a propaganda não adianta muito. O que vale é o reconhecimento do seu trabalho pelos pais das crianças e pelas pessoas que frequentam as festas”, afirma. “São eles que vão trazer outros clientes.”

As festas organizadas pela Auguri, normalmente voltadas para crianças de até 3 anos, costumam custar entre R$ 5,8 mil e R$ 7,2 mil. Para 50 pessoas. Ela fornece o serviço de buffet e a decoração.  No setor há nove anos, Kika acredita que a principal tendência desse mercado é a personalização. “Ninguém quer uma festa igual àquela feita para a outra criança. Cada mãe que entra aqui pede para eu criar uma coisa nova, que tenha a cara do seu filho.”

Ao organizar uma festinha com a cara de sua filha Catarina, a empresária Fernanda Quintanilha e sua cunhada Priscila Quintanilha acabaram criando um novo negócio. O Chá das 5 é o nome da empresa que organiza um chá de bonecas para comemorar aniversários de meninas que tenham entre 4 e 9 anos.

“A ideia foi retomar costumes simples, que foram perdidos, e assim estimular a convivência entre as crianças”, define Priscila. A empresa leva todo o mobiliário, a decoração e as comidinhas para a festa, que pode comportar no máximo 20 meninas. Recém-criada, a empresa atua em São Paulo e Brasília. O trabalho já foi contratado por uma academia de balé (que quer fazer um chá de confraternização para as alunas) e por muitas menininhas doidas para brincar de boneca com as amigas. O preço do serviço? R$ 120 por criança.

Por: Carolina Dall'Olio - Estadão PME

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Oito em cada dez paulistanos estão nas redes sociais. Aproveite!

Números comprovam necessidade da pequena empresa organizar uma estratégia virtual.

De cada dez moradores de São Paulo, oito estão nas redes sociais. Esta é uma das conclusões da Pesquisa sobre Hábitos dos Paulistanos na Internet, realizada em maio com mil entrevistados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).

Segundo o levantamento, cerca de 9,35 milhões de pessoas, ou 82,73% dos moradores da capital paulista, fazem parte de ao menos uma rede social. Entre as pessoas com mais de 18 anos e menos de 35, o total é ainda maior, chegando a 89,54%. Aqueles com idades entre 35 e 70 anos, o total saltou de 61,05% em 2010 para 73,27% neste ano.

O Orkut segue como a rede social mais comum, com 74,91% de penetração, mas o site que pertence à empresa Google vem perdendo espaço, pois no ano passado sua popularidade chegava a 82,08%. Quem vem ganhando terreno é o Facebook, que registra 30,06 pontos porcentuais de aumento de uma pesquisa para outra, atingindo agora 54,04% da população paulistana. O Twitter é usado por 19,06% e o MSN, por 66,10%.

Os números comprovam a necessidade das pequenas e médias empresas organizaram - o quanto antes - uma estratégia para as redes sociais. Para ajudá-lo, o site do Estadão PME organizou abaixo informações importantes sobre cada mídia social e, principalmente, como tirar o melhor proveito delas.

Orkut e Facebook
O Orkut ainda é um importante canal de contato com o público das classes C e D. Portanto, não deve ser descartado como ferramenta pelas empresas que visam esse público-alvo.

Já o Facebook funciona como uma boa ferramenta de contato com universitários e as classes A e B. Os especialistas recomendam que as fan pages e as comunidades da empresa sejam um espaço de discussão, onde o empresário não apenas divulgue suas ações, mas também gere conteúdo e interação entre os usuários.

Além disso, as ferramentas podem ser utilizadas para realizar promoções e para a venda de produtos por meio do social commerce. “O Facebook divulgou que possui mais de 800 milhões de usuários ativos, um público enorme. E ainda pretende com seu redesenho manter o usuário conectado por mais tempo na página, o que mostra a força que essa ferramenta tem”, afirma o consultor de marketing digital Cláudio Torres.

Twitter
“O twitter é surdo”, brinca o professor Alexandre Marquesi, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em referência ao fato de que a interação no microblog é menor do que a que acontece no Facebook, por exemplo. Para ele, o canal tem que ser utilizado para uma exposição positiva da empresa e como um canal de atendimento ao cliente.

Um exemplo de uso do twitter considerado positivo pelos especialistas é o da varejista norte-americana Best Buy, que criou um twitter exclusivo, o @twelpforce, para tirar dúvidas dos consumidores da loja sobre os produtos.

Quem responde às questões são os próprios vendedores da loja. “Essa é uma boa estratégia para a empresa que não consegue gerar conteúdo original na rede”, diz Torres. Já para as empresas que produzem informação em um blog, por exemplo, o twitter pode ser usado como meio de divulgação desse conteúdo.

Foursquare
A rede, que permite que usuários cadastrados informem por meio do seu smartphone o estabelecimento comercial onde está, realizando um check in online, ganhou popularidade nos últimos meses, mas ainda está longe de ser uma ferramenta considerada tão eficiente pelos especialistas em marketing digital quando o Facebook. Ainda assim, pode ser uma forma interessante de pequenos estabelecimentos comerciais ganharem, sobretudo, status. “Como as pessoas só fazem check in em lugares bons, a empresa precisa trabalhar o posicionamento da sua marca”, diz Marquesi, da ESPM.

Uma das formas de chamar a atenção dos clientes mais utilizadas na rede e que pode ser adotada pelas pequenas empresas é oferecer prêmios para o mayor (prefeito) do estabelecimento - título dado ao consumidor que frequenta mais vezes o lugar - como um café gratuito ou uma diária grátis em um hotel, por exemplo. Outra boa estratégia é acompanhar o comportamento do cliente do foursquare em outras mídias sociais e ver como outras pessoas interagiram com o check in realizado pela pessoa no estabelecimento. No próprio site da ferramenta há uma página para empresas com dicas sobre como usar o Foursquare.

Youtube
Os especialistas recomendam que a ferramenta seja utilizada para produção de conteúdo informativo e como forma de demonstrar os usos de um produto. “Uma academia pode gravar um vídeo com os seus professores dando dicas de exercícios e de saúde”, exemplifica Torres. Segundo ele, esse conteúdo traz visibilidade e credibilidade para a marca.

Um caso famoso de uso do youtube é uma campanha da empresa americana Blendtec, que para demonstrar o poder de sua linha de liquidificadores, criou no You Tube o programa Will it blend?, no qual o fundador da marca, Tom Dickson, tritura produtos diversos, como um iPad ou um par de tênis.

Via: Estadão PME 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Arcor lança biscoito com nanotecnologia



"Cooling", como é chamada a tecnologia, mantém aroma mentolado encapsulado e o revela conforme ele vai sendo consumido.
A Arcor do Brasil anunciou o lançamento do novo “Danix Choco Shake” sabor Milk Shake de Chocolate, sob licença dos Pinguins de Madagascar.

A nanotecnologia empregada na guloseima, denominada “cooling”, conserva e mantém encapsulado o aroma mentolado e refrescante que vai sendo revelado a cada mordida. Para se chegar ao resultado final ideal, o produto foi estudado por cerca de dez meses.

Além da sensação gelada, contém chocolate maltado e Vitacálcio (complexo de vitamina e cálcio), proteína responsável pelo fortalecimento e crescimento dos ossos e também dos dentes.

Segundo o diretor de Marketing de Biscoitos e Panificados da Arcor do Brasil, Rodrigo Peçanha, a empresa espera um crescimento de 30% de vendas para a linha de biscoitos Danix. “Nosso consumidor é muito exigente e sempre almeja novas experiências, por isso, investimos muito em novos sabores e nos personagens licenciados para aproximar o público infantil da marca”, explica.

Por: Exame.com

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O método Steve Jobs

Centralizador e perfeccionista, inventivo e empreendedor. Esse era o perfil do homem que criou a maior empresa de tecnologia da história, a Apple.

 Steve Jobs durante um evento especial de divulgação do iPhone 4 na Califórnia, 2010 (Robert Galbraith/Reuters)

Não existe alguém no mundo da tecnologia que desperte a mesma paixão que Steve Jobs provoca. Seus admiradores, antes um restrito grupo de usuários de Macs, podem atualmente ser encontrados entre jovens e velhos, pobres e ricos, especialistas e neófitos – um fruto do sucesso de iPod, iPhone e iPad. As  palavras do gênio inventivo eram ouvidas com atenção por milhares conectados à internet a cada apresentação de um novo produto que ninguém sabia que existia, mas que, a partir de sua aparição, tornava-se um item "necessário" ou até "vital". Ao mesmo tempo, Jobs era conhecido como um chefe extremamente exigente, cruel por vezes, um perfeccionista que, segundo lendas, chegou a demitir funcionários no elevador da companhia porque eles demoraram a responder a uma  indagação acerca de um produto em desenvolvimento.

Jobs não era engenheiro, designer ou administrador de empresas formado por uma universidade. Mesmo assim, conseguiu criar produtos inovadores e esteticamente imitados por toda a concorrência, além de ter tirado a empresa que ajudou a criar da falência, transformando-a em uma das mais rentáveis e lucrativas do mundo. Talvez essa seja a resposta para o seu sucesso: em vez de pensar como um técnico, ele enxergava o mundo pelo prisma do usuário. "Jobs conseguia conversar com as pessoas de igual para igual, sem aquele discurso técnico, chato", afirma Eric Johnson, da fundador e diretor da Ironfire Capital, empresa de investimentos.

Steven Paul Jobs foi adotado. Seus pais adotivos tiveram de prometer que o menino cursaria a faculdade para poder ficar com ele. Apesar dos esforços, o rapaz desistiu de estudar seis meses depois de ingressar na Reed College, uma universidade liberal em Portland, Oregon. Resolveu viajar pela Índia (Jobs é budista) e, de volta à Califórnia, se juntou a Steve Wozniak para fundar a Apple, se tornar o mais jovem milionário da indústria de informática, ser chutado da empresa que criou, montar uma nova empresa (que fracassou), comprar um estúdio de animação 3D (que se tornaria a Pixar), voltar para a Apple e mudar a vida de todos nós com os produtos que ajudou a criar durante a última década.

A melhor maneira de entender o sucesso de Steve Jobs é recordar a avaliação que ele fez de si próprio durante o discurso proferido para a turma de formandos da Universidade de Stanford, em 2005. Ele contou que abandonou a faculdade para fazer um curso de caligrafia, narrou o episódio de saída da Apple e, por fim, falou sobre a doença que o acompanhava há anos, um câncer no pâncreas. E resumiu o mantra que criou para si: faça o que você ama e siga sua intuição.

Em seu livro Inovação, A Arte de Steve Jobs, Carmine Gallo, especialista em treinamento de executivos e estudioso da vida do pai da Apple, afirma que o método de trabalho de Jobs obedecia a sete mandamentos: faça o que você gosta, cause impacto no universo, coloque o cérebro para funcionar, venda sonhos em vez de produtos, diga não a mil coisas, crie experiências incríveis e defina bem sua comunicação. As diretrizes guiaram todo o trabalho do criador, do processo de criação dos produtos à sua divulgação.

Leander Kahney, autor do livro A Cabeça de Steve Jobs, adiciona outro ingrediente importante para a receita do sucesso, um componente que fez parte da personalidade do gênio empreendedor: controle. Jobs era extremamente perfeccionista e não admitia que nada fosse feito sem seu aval. Isso é tão claro que até nas embalagens dos produtos Apple há o toque dele. De acordo com Kahney, para Jobs, o ato de desembalar o produto é tão importante quanto o de usá-lo. Ele não foi o inventor do iPod, mas foi o responsável por tornar o tocador de MP3 um dispositivo que todos os usuários pudessem usar. Para isso, disse a engenheiros e designers o que iria funcionar ou não. Estava certo.

Trabalhar com prazer e manter controle sobre a própria criação são dois aspectos importantes no método Steve Jobs. Enquanto o primeiro tem um aspecto romântico, o segundo revela um elemento essencial para a Apple. Um exemplo: todos os lançamentos da empresa são envoltos por uma aura de segredo. Como será o novo iPhone? Quais as novas funcionalidades do iPad? Esses temas são debatidos em sites de tecnologia e também na imprensa em geral – além de virar assunto entre consumidores. O segredo busca potencializar o impacto das novidades. E mesmo com o vazamento quase diário de informações, Jobs conseguia causar um grande reboliço cada vez que subia ao palco para mostrar um novo produto.

O controle total sobre seus produtos foi fundamental também para afirmar a marca Apple. Se o usuário quer usar o iOS, tem que comprar um iPhone. Se quer o Mac OS X, deve adquirir um Mac. Assim, a empresa monitora de perto seus usuários e não abre espaço para a divisão do negócio com outros fabricantes, como acontece com a Microsoft e o Google Android, para citar dois exemplos. Para Jobs, não havia meio termo. A história recente da tecnologia provou que ele estava certo.

Por: Sérgio Miranda - Veja